Nasci sob o signo da terra, talvez isso me permita ser barro nas horas doídas.
Nessas horas em que a dor maior se concentra no útero, dilacerando a alma e sangrando as marcas de todos os amores passados.
As marcas que antes fulguravam nos lençóis se entranham na pele para esgarçar a carne.
Nesses momentos quero me deitar no chão, na beira de um rio e me esfregar na lama fria, para ter aconchego de criança em colo de vó.
Só isso.
Sem lágrimas,
Sem gemidos,
Sem contrações.
Deixar a dor tomar conta até meu corpo se fundir no barro,
na lama,
numa total fusão que molda um novo ser sem dor.
Bom ser barro para renascer da dor que sempre não tarda chegar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Legal dividir meus devaneios com você!